Adriana (Letícia Colin). Foto: Globo/Manoella Mello
Adriana (Letícia Colin). Foto: Globo/Manoella Mello

“Quem Ama Cuida” entra na fila das novelas apostando em uma engrenagem clássica de melodrama: uma mulher esmagada por perdas sucessivas, um crime cercado de interesses e uma luta para retomar a própria história. No centro dessa travessia está Adriana (Leticia Colin), personagem que vê a vida desabar e transforma a dor em impulso para buscar justiça.

A queda começa de forma brutal. Depois de ser demitida da clínica onde trabalhava como fisioterapeuta, Adriana enfrenta uma enchente que destrói sua casa e leva seu marido, Carlos (Jesuíta Barbosa), arrastado pela força da água. Sem rumo, ela termina em um abrigo, carregando o luto e a sensação de que tudo o que havia construído desapareceu de uma vez.

É nesse cenário que surge Pedro (Chay Suede), advogado idealista e atento às desigualdades ao redor. O encontro entre os dois é breve, mas deixa uma marca funda, inaugurando um vínculo emocional que seguirá atravessando a história mesmo quando o destino tratar de separá-los.

A vida de Adriana muda novamente quando ela consegue trabalho na casa de Arthur Brandão (Antonio Fagundes), empresário poderoso do ramo de joias. Ele vive cercado por ausências e pelo desgaste provocado pela própria família, especialmente Pilar (Isabel Teixeira), Ulisses (Alexandre Borges) e Silvana (Belize Pombal), viúva de seu irmão Belmiro. O que começa em tom de atrito entre patrão e funcionária, aos poucos, se converte em confiança.

Dessa aproximação nasce a decisão que empurra a trama para o abismo. Temendo deixar sua fortuna nas mãos de parentes ambiciosos, Arthur propõe casamento a Adriana. O acordo não nasce do amor, mas de uma combinação de proteção, lealdade e conveniência. Pressionada pela chance de mudar de vida e ajudar a própria família, ela aceita, apesar da oposição do avô Otoniel (Tony Ramos).

A escolha atinge Pedro em cheio. A mulher que ele não esqueceu está prestes a se casar com seu padrinho, enquanto o pai dele, Ademir (Dan Stulbach), também orbita esse universo de poder. O conflito sentimental, porém, logo é atropelado por uma tragédia maior: Arthur é assassinado na noite do casamento, e Adriana, última pessoa a estar com ele e herdeira de sua fortuna, passa a ser tratada como principal suspeita.

A condenação muda o curso da personagem de forma radical. Presa por um crime que não cometeu, Adriana perde a liberdade, o nome e o futuro que imaginava. Seis anos depois, ela deixa a cadeia em liberdade condicional ainda determinada a recuperar aquilo que lhe arrancaram: a dignidade, a verdade sobre o assassinato e a possibilidade de reencontrar o amor.

A novela constrói sua espinha justamente nessa combinação de ferida e reação. Adriana não é desenhada como figura passiva, mas como uma mulher que acolhe, protege e enfrenta. A profissão de fisioterapeuta ajuda a definir esse traço, mas a ideia de cuidado extrapola o trabalho: vira forma de afeto, resistência e confronto diante da injustiça.

Walcyr Carrasco resume a protagonista como uma mulher forte, atravessada por uma grande história de amor e por um mistério de “quem matou?”. Claudia Souto reforça o perfil popular da personagem e o peso da injustiça que a afasta de Pedro, descrevendo Adriana como alguém que cura também pelo gesto de acolher. A parceria entre os autores marca a estreia de Claudia em uma novela das nove ao lado de um escritor que ela aponta como referência direta em sua trajetória.

Na direção artística, Amora Mautner assume a condução da obra apostando na força do novelão familiar, nos conflitos por herança e na mistura de emoção ampla com suspense. A diretora define o projeto como um melodrama clássico com ideias originais, embalado pelo estilo de Walcyr e pela contribuição de Claudia Souto.

Além de Leticia Colin, Antonio Fagundes, Chay Suede e Tony Ramos, o elenco reúne Isabel Teixeira, Alexandre Borges, Flávia Alessandra, Mariana Ximenes, Dan Stulbach, Deborah Evelyn, Tata Werneck, Agatha Moreira, Isabela Garcia e Breno Ferreira, entre outros nomes. A novela é criada e escrita por Walcyr Carrasco e Claudia Souto, com colaboração de Wendell Bendelack, Martha Mendonça, Julia Laks e Bruno Segadilha. A direção artística é de Amora Mautner, com direção geral de Caetano Caruso.

Ao juntar catástrofe, pacto, assassinato, herança e amor interrompido, “Quem Ama Cuida” tenta se firmar como uma história de reconstrução movida menos pela fragilidade da vítima e mais pela reação de uma mulher que decide enfrentar o impossível para retomar o próprio destino.

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