Rosenda, personagem de Dira Paes em Lá na Minha Terra, encontrará em São Paulo uma realidade bem diferente daquela que imaginou durante mais de 15 anos de espera. Ao procurar Severino (Daniel de Oliveira), marido que deixou o Nordeste prometendo melhorar a vida da família, ela descobrirá que ele adotou o nome Cesário, enriqueceu e formou outra família na capital paulista.

A viagem nasce das dúvidas acumuladas desde a partida de Severino. Ele saiu de Lavra Seca, cidade fictícia do Nordeste, há pouco mais de 15 anos e nunca retornou. Sem saber se o marido continuava vivo ou por que deixou de procurá-la, Rosenda decide atravessar o país para obter as respostas que não recebeu durante esse período.

Enquanto esperava, a protagonista criou os cinco filhos do casal: Lina (Arianne Botelho), Damaso (Miguel Rômulo), Brícia (Jéssica Marques), Dodô (Vicenthe Delgado) e Águeda (Carol Pinheiro). Rosenda sustenta a casa com muito trabalho e mantém uma pequena criação de cabras como principal fonte de renda da família. Os animais ficam em terras arrendadas de Almerindo Mourão, papel de Mateus Solano.

A ausência prolongada não fez Rosenda abandonar o casamento. Ela ainda se considera mulher de Severino e conserva um lugar à mesa para uma eventual volta dele. Esse compromisso também interfere na relação com Almerindo. Viúvo e apaixonado por ela, o fazendeiro a corteja, e Rosenda nutre sentimentos por ele, mas coloca a fidelidade ao marido acima dessa possibilidade amorosa.

A vida que Severino escolheu em São Paulo seguiu por outro caminho. Quando chegou à cidade, ele trabalhou como jardineiro em uma mansão e conheceu Ismália (Camila Morgado), herdeira da família proprietária do imóvel. Os dois se envolveram, e dessa relação nasceu Alice, interpretada por Giulia Benite.

Com o passar dos anos, o retirante assumiu o nome Cesário e se tornou um empresário que desfruta de uma rotina luxuosa. Seu trabalho agora se concentra em um escritório na região da Nova Faria Lima. Apesar da nova identidade e da segunda família, ele não chegou a se separar legalmente de Rosenda nem retomou contato com a mulher e os filhos deixados em Lavra Seca.

A chegada de Rosenda coloca frente a frente partes de uma história que Severino manteve separadas. Tanto ela quanto Ismália ficam estarrecidas ao conhecer a dimensão da mentira. Ismália, porém, não pretende abrir mão facilmente do marido e fará o possível para continuar com ele, mesmo diante da revelação.

Para Severino, o reencontro também traz de volta a família cujo crescimento ele não acompanhou. A culpa pelo abandono passa a pesar sobre o personagem, que tentará se redimir e recuperar a identidade que deixou para trás. O movimento não garante uma reconciliação: uma das questões da novela será justamente saber se Rosenda conseguirá perdoá-lo.

O contraste entre os dois ambientes acompanha a própria concepção de Lá na Minha Terra. Mario Teixeira, criador e autor da novela, relaciona a história a lembranças de sua infância entre Ceará e Roraima e a relatos que ouviu sobre pessoas que deixavam suas famílias para buscar oportunidades em São Paulo. A trama também incorpora referências literárias de Ariano Suassuna e Jorge Amado na construção de figuras ligadas ao imaginário nordestino.

Entre os tipos mencionados pelo autor estão a mulher nordestina de personalidade forte, o padre, as fofoqueiras e um delegado tratado de maneira bem-humorada. Teixeira volta a trabalhar com Allan Fiterman depois de projetos como Mar do Sertão e No Rancho Fundo.

A proposta de aproximar universos tão diferentes também aparecerá nas imagens. Parte das gravações acontece na Chapada Diamantina, na Bahia, escolhida para representar um cenário de áreas verdes e cachoeiras. São Paulo compõe o outro polo da narrativa, com uma paisagem essencialmente urbana. Fiterman destacou justamente a combinação visual proporcionada por esses dois ambientes.

Antes das gravações, elenco e equipe técnica participaram de um workshop nos Estúdios Globo. A preparação incluiu a leitura do primeiro capítulo e apresentações dos profissionais responsáveis pelas diferentes áreas criativas. Ao comentar o processo de realização, Mario Teixeira ressaltou que uma novela depende do trabalho conjunto de equipes como produção, direção, fotografia, iluminação, pesquisa e sonoplastia para transformar o texto em imagens.

O elenco também reúne Lilia Cabral, Julia Dalavia, Mariana Lima, Welder Rodrigues, Débora Nascimento, Gustavo Vaz, Suely Franco, Felipe Simas, Gabriela Loran e Castorine, entre outros nomes.

Produzida nos Estúdios Globo, Lá na Minha Terra tem estreia prevista para novembro na faixa das seis e será a substituta de A Nobreza do Amor. Mario Teixeira escreve a trama com Marcos Lazarini, Letícia Mey, Mariana Torres, Pedro Alvarenga e Raul Damasceno. Allan Fiterman responde pela direção artística, Pedro Brenelli pela direção geral, Mariana Pinheiro pela produção, Lucas Zardo pela produção executiva e José Luiz Villamarim pela direção de dramaturgia.

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