Após encerrar seu contrato de exclusividade com a Globo logo depois do fim de Fuzuê, o autor Gustavo Reiz define seus próximos passos no mercado audiovisual investindo em um formato que vem ganhando tração global. O dramaturgo, que agora atua no modelo de contrato por obra certa, foi convidado para desenvolver roteiros de novelas verticais — tramas de curta duração produzidas especificamente para consumo em telas de celulares.

O projeto marca uma nova fase na carreira do escritor e prevê a criação de duas novelas verticais. A primeira delas já tem cronograma definido: os trabalhos começarão em janeiro, sob a direção de Marcelo Zambelli. A produção executiva ficará a cargo da Formata, produtora que já possui expertise neste tipo de conteúdo e é responsável por outras obras do mesmo segmento. As informações sobre o novo rumo profissional de Reiz foram divulgadas pela coluna da jornalista Anna Luiza Santiago, do jornal O Globo.

A movimentação de profissionais gabaritados para esse nicho reflete uma tendência de mercado. Os microdramas consolidaram-se como um verdadeiro fenômeno na China, país que chega a produzir milhares de títulos por ano. O Brasil, ao lado dos Estados Unidos, já figura na lista dos maiores consumidores mundiais desse formato ágil, o que despertou a atenção das grandes emissoras de TV aberta. A direção da Record, por exemplo, demonstra interesse ativo no setor e busca parcerias com produtoras que vêm investindo nesse tipo de dramaturgia específica.

Segundo dados do Portal de Entretenimento da Globo (Gshow), o GloboPlay prepara novas novelas verticais centradas em figuras icônicas da teledramaturgia recente. Entre os projetos em estudo, estão spin-offs focados em Bibi Perigosa, personagem vivida por Juliana Paes em A Força do Querer (2017) que teve enorme repercussão, e Angel, a protagonista de Verdades Secretas, interpretada por Camila Queiroz.

Outro núcleo que deve ganhar sobrevida no formato vertical é o de Ramiro e Kelvin, o casal que conquistou o público em Terra e Paixão (2023). O objetivo central da plataforma é utilizar o reconhecimento imediato e a memória afetiva desses personagens para atrair audiência para as micronovelas. A aposta visa criar conteúdos derivados que consigam, simultaneamente, dialogar com a base de fãs de longa data e apresentar essas figuras clássicas para novos espectadores que consomem conteúdo majoritariamente via streaming e redes sociais.