
A cobertura do Carnaval paulistano pela Globo sofre uma alteração inédita em três décadas de transmissão. Pela primeira vez desde que a emissora passou a exibir os desfiles das escolas de samba do Anhembi, nos anos 1990, a equipe de locução não estará presente no sambódromo. Everaldo Marques e Valéria Almeida comandarão a narração a partir dos estúdios da emissora na capital paulista.
De acordo com informações do jornalista Gabriel Vaquer (Folha de São Paulo), a mudança segue modelo já adotado em transmissões esportivas, nas quais a locução ocorre remotamente. Na avenida, permanecerão o comentarista Judson Sales, o ator Ailton Graça e o carnavalesco Milton Cunha, cada um com atribuições distintas.
Sales ficará responsável por análises técnicas, estéticas e narrativas de cada apresentação. Graça ocupará a concentração com um espaço próprio para entrevistas com passistas e público, formato semelhante ao que Mariana Gross inaugurou nos desfiles cariocas no ano passado. Cunha assumirá a dispersão e conduzirá a chamada Embaixada Globeleza, fechando a trajetória de cada agremiação.
A emissora justifica a decisão como aposta em recursos tecnológicos. "Decidimos levar Valéria e Everaldo pra um estúdio especial e garantir a melhor experiência possível ao público com o apoio de muita tecnologia e novos recursos. Nossos âncoras vão distribuir o jogo com todos os especialistas que estarão na pista", explica Joana Thimoteo, diretora de Gênero de Música e Eventos da Globo.
A reconfiguração, porém, dividiu os bastidores do samba paulistano. Presidentes de escolas demonstraram estranhamento com a opção e, segundo apuração, a emissora teria identificado limitações estruturais no Anhembi para uma operação de maior porte diretamente do local.
Dirigentes das agremiações também manifestam insatisfação com os valores pagos pela transmissão, considerados baixos. Nos últimos anos, os desfiles registraram médias entre 7 e 8 pontos de audiência na Grande São Paulo, o equivalente a cerca de 1,4 milhão a 1,6 milhão de telespectadores. O vínculo entre a Globo e as escolas tem validade apenas para este ano.
A Liga-SP, entidade representativa das agremiações paulistanas, negou qualquer atrito com a emissora. A organização afirma que a saída dos narradores do sambódromo foi bem recebida, uma vez que o objetivo é aprimorar a exibição do evento como um todo.
"Essa demanda foi trazida pela emissora, inclusive, a exemplo do que já acontece em algumas transmissões esportivas. Para o espectador, nada muda. Pelo contrário: espera-se que haja ainda mais qualidade técnica, uma vez que a Globo, utilizando seus próprios estúdios, poderá usar todo o seu investimento em tecnologia a serviço do Carnaval paulista", sustenta a liga em nota.
O novo formato marca uma ruptura com a tradição de cobertura presencial que caracterizou a transmissão dos desfiles paulistanos ao longo de três décadas.
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