A faixa das 22h voltou a ser tratada na Globo como território possível para a teledramaturgia. O desempenho de Guerreiros do Sol levou setores da emissora a defenderem a retomada mais regular de produções do gênero após a novela das nove.

A mudança de percepção vem dos números. Desde a estreia, em 22 de abril, a trama sustenta média de 14 pontos, resultado considerado forte para o horário. Em algumas praças, o desempenho supera marcas históricas do Big Brother Brasil quando o reality é exibido em faixa alternativa.

O único ponto de oscilação mais evidente ocorre às quartas-feiras. Nesses dias, por causa das transmissões de futebol, a grade sofre ajustes e a novela costuma entrar no ar perto da meia-noite, o que interfere diretamente no alcance do capítulo.

Mesmo com essa variação, a leitura interna é positiva. A produção mostrou que há espaço para dramaturgia fora das faixas tradicionais e reacendeu a discussão sobre um modelo que marcou a Globo em outros períodos, quando séries e novelas de horário mais adulto ocuparam o pós-21h com forte identidade autoral.

O próximo passo nessa direção será Paraíso Perdido. A obra seguirá a estratégia de lançamento híbrido: primeiro no Globoplay, depois na TV aberta.

Escrita por George Moura e Sergio Goldenberg, a produção parte do universo de Nelson Rodrigues, mas desloca a narrativa para o Rio de Janeiro contemporâneo. A ideia é unir melodrama, tensão familiar e conflitos morais em uma ambientação atual.

No elenco, Alexandre Nero e Eduardo Sterblitch já estão confirmados como protagonistas. A Globo também negocia com Marina Ruy Barbosa para um dos papéis centrais da história.

As gravações estão previstas para começar em setembro, no Rio de Janeiro. A preparação de Paraíso Perdido indica que a boa resposta de Guerreiros do Sol não será tratada como caso isolado, mas como um teste bem-sucedido para reposicionar a dramaturgia em uma faixa que a Globo volta a observar com interesse.