A Globo ficará com o principal pacote de TV aberta da Copa do Brasil no ciclo de 2027 a 2030. O acordo integra um novo sistema de comercialização dos direitos da competição, pelo qual a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) deve arrecadar mais de R$ 4 bilhões. O SBT também apresentou uma proposta, mas não foi incluído entre os detentores.

Diferentemente do ciclo anterior, a Globo não terá exclusividade. A CBF repartiu os direitos em quatro pacotes e abriu uma negociação direta com o mercado. Quinze empresas foram convidadas e mais de 80 reuniões foram realizadas, muitas delas durante a Copa do Mundo. Antes de formalizar as tratativas, a entidade ouviu as necessidades específicas dos interessados em vez de apresentar inicialmente ofertas fechadas.

No pacote conquistado pela Globo, a emissora terá a obrigação de exibir partidas a partir da quinta fase, etapa em que os clubes da Série A entram na disputa. O compromisso abrange 14 jogos.

Outros direitos foram distribuídos entre Sportv, Premiere, Ge TV, Prime Video e ESPN Brasil. Essas marcas ficaram com o segundo e o terceiro pacotes, que não apresentam diferença em quantidade ou qualidade. Cada grupo terá acesso ao mesmo número de partidas, com alternância entre os confrontos considerados mais importantes.

O SBT chegou a participar de cerca de seis reuniões com a CBF. A emissora buscava uma presença na Copa do Brasil, inclusive em um pacote secundário, para compensar a falta dos jogos da Copa Sul-Americana. No processo, porém, a confederação avançou com propostas que considerou financeiramente mais interessantes.

A estratégia de valorização do torneio foi apoiada por um estudo realizado pela própria CBF. O levantamento apontou que a Copa do Brasil rendia menos comercialmente do que sua audiência e sua relevância justificariam. Nas duas temporadas mais recentes, as médias das fases finais superaram as registradas pelo Campeonato Brasileiro e pela Libertadores.

Outro argumento levado às negociações foi o alcance das torcidas. As dez maiores do país estiveram representadas na Copa do Brasil ao longo dos últimos quatro anos, enquanto nem todas disputaram a Libertadores. A CBF utilizou esse cenário para sustentar a capacidade da competição de reunir público e repercussão no mercado brasileiro.

A reformulação também alcança o calendário. Entre os problemas identificados pela confederação estavam a falta de concorrência estruturada na venda dos direitos e uma programação que não atendia às necessidades comerciais. No novo desenho, a Copa do Brasil ocupará mais datas, terá mais janelas para exibição e concentrará menos jogos no mesmo dia, além de buscar evitar choques com a Libertadores.

A operação das transmissões também mudará. A Copa do Brasil será a primeira competição nacional com produção integral do próprio sinal, enquanto clubes da Liga Forte União haviam adotado parcialmente esse modelo no Campeonato Brasileiro. A iniciativa busca uniformizar a identidade visual e diminuir dificuldades logísticas para os detentores em partidas realizadas em diferentes estados.

Esse sistema permitirá ainda que jogos não escolhidos pelos detentores sejam disponibilizados pelos canais oficiais da competição. Nas próximas temporadas, a Copa do Brasil terá 157 partidas: 96 nas fases preliminares e 61 nas etapas disputadas em jogos de ida e volta.