
A Globo decidiu colocar 'A Nobreza do Amor' no ar com uma frente rara de capítulos já pronta, movimento que ajuda a sustentar uma novela de época cercada por exigências de produção. Escrita por Duca Rachid, Júlio Fischer e Elisio Lopes Jr., a trama estreia na segunda-feira (16), no lugar de 'Êta Mundo Melhor!', quando os autores já se aproximam do capítulo 100 de um total de 203.
Segundo informações do jornal O Globo, a estratégia atende a uma necessidade prática. Como o folhetim exigirá logística mais pesada, cenários específicos e planejamento visual cuidadoso, a equipe precisa receber material com larga antecedência. O ponto sensível dessa escolha está no começo da exibição: se o grupo de discussão do primeiro mês detectar algum problema grave, as mudanças no enredo terão de ser feitas com a história já bastante avançada no papel.
Essa escala de produção também pesou nas gravações externas. Sob direção de Gustavo Fernández, a novela tentou viabilizar filmagens na África, onde se passa parte da narrativa, mas a conta não fechou, mesmo com um orçamento superior ao que costuma ser reservado às produções das 18h. A saída foi transformar locações brasileiras em suporte visual para essa etapa da história.
Foi assim que a Fortaleza de Santa Cruz, em Niterói, entrou em cena, assim como cavernas no interior do Rio Grande do Norte, usadas para representar o continente africano. Na ficção, o enredo acompanha a princesa Alika, personagem de Duda Santos, obrigada a deixar o reino de Batanga depois do golpe liderado pelo tirano Jendal, interpretado por Lázaro Ramos.
Depois da fuga, Alika recomeça a vida em Barro Preto, no Brasil, sob o nome de Lúcia. Nesse novo ambiente, ela se aproxima do trabalhador rural Tonho, papel de Ronald Sotto, e o romance passa a enfrentar resistência crescente. Entre os obstáculos aparece Mirinho, vivido por Nicolas Prattes, amigo de infância de Tonho que agora o trata como empregado da fazenda do coronel Bonafé, personagem de Cássio Gabus Mendes.
A ligação entre Brasil e África, que estrutura a novela, também virou eixo da abertura. Toda animada, a vinheta foi concebida para condensar essa cumplicidade em poucos segundos, apoiada em referências negras e em raízes culturais compartilhadas. Chris Calvet, gerente de criação, destaca a diversidade do time envolvido no projeto, enquanto Will Nunes liderou o processo visual que parte da ideia de tempo circular e retorna ao reino de Batanga. Para costurar essa proposta, a produção escolheu 'Zumbi', música lançada por Jorge Ben Jor em 1974 no álbum 'A Tábua de Esmeralda'.
Confira a abertura do folhetim:
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