Globo corta cena gay de 'Três Graças' em meio a alerta de audiência

Mesmo sob pressão por números, 'Três Graças' segue prevista até maio de 2026, quando dará lugar a 'Quem Ama Cuida', novo título de Walcyr Carrasco

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José Rubens (Samuel de Assis) e Kasper (Miguel Falabella). Foto: Reprodução/Globo
José Rubens (Samuel de Assis) e Kasper (Miguel Falabella). Foto: Reprodução/Globo

A Globo decidiu cortar uma sequência de intimidade entre o casal gay José Rubens e Kasper em 'Três Graças', prevista inicialmente para ir ao ar no capítulo deste sábado (29). A mudança faz parte de ajustes realizados para acelerar o folhetim em um momento em que a audiência da novela das nove está abaixo das expectativas da emissora, que já acionou internamente um alerta para o desempenho do título.

A sequência com José Rubens, vivido por Samuel de Assis, e Kasper, interpretado por Miguel Falabella, constava no resumo oficial de 'Três Graças' divulgado pela Globo. Segundo apuração do jornalista Gabriel Vaquer (da Folha de São Paulo), a direção da trama avaliou que a cena não seria determinante para o desenvolvimento da história e optou por retirá-la na montagem final do capítulo. No ar, o episódio de sábado acabou concentrando o foco no início do romance de outro casal LGBT.

Em 'Três Graças', Juquinha (Gabriela Medvedovski) e Lorena (Alanis Guillen) passam a viver um relacionamento estável, movimento que provoca a rejeição aberta de Ferreti (Murilo Benício), pai da jovem, que não aceita ver a filha namorando outra mulher. O conflito em torno desse núcleo é apontado como eixo dramático relevante para o momento atual da novela e ajuda a explicar a decisão de privilegiar esse arco na edição exibida.

A cena suprimida do casal José Rubens e Kasper começaria com um susto: os dois seriam rendidos por um criminoso dentro do carro em que estão. Com a arma apontada para sua cabeça, Kasper reagiria dizendo ao assaltante que eles são "marido e marido". O bandido, tomado pelo medo, desistiria da abordagem e fugiria. A partir daí, a ação migraria para um quarto de motel, onde os personagens trocariam carícias e juras de amor, sem a presença de beijos, antes de a narrativa avançar para outros acontecimentos.

Pressão por resultados na faixa das nove

Paralelamente à discussão sobre a edição, a Globo monitora com atenção o desempenho de 'Três Graças'. A novela, escrita por Aguinaldo Silva, é elogiada internamente, mas acumula média de 21,8 pontos na Grande São Paulo desde a estreia, em 20 de outubro. O índice é considerado abaixo do esperado para o horário e chama a atenção por se aproximar da média de 'Dona de Mim' às 19h, aproximação pouco comum no histórico de diferença entre as duas faixas de teledramaturgia da emissora.

No Painel Nacional de Televisão (PNT), que mede os índices em 15 cidades brasileiras, o cenário também preocupa. Em diversos momentos, a novela das nove tem apresentado resultado inferior ao do jornal local exibido por volta das 19h15, o que reforça a necessidade de ajustes rápidos na condução do folhetim. 

Ajustes de ritmo e plano até 2026

Diante dessa combinação de fatores, a Globo vem realizando cortes, condensando cenas e acelerando acontecimentos como parte de uma estratégia para tornar a narrativa mais dinâmica. A emissora também tem seguido de perto indicações extraídas de pesquisa de opinião com o público: o levantamento apontou aprovação à novela, mas registrou reclamações sobre a demora de certos desdobramentos, o que contribuiu para orientar intervenções na ilha de edição.

Mesmo sob pressão por números, o planejamento atual prevê que 'Três Graças' permaneça no ar até maio de 2026. Na sequência, a faixa das nove receberá 'Quem Ama Cuida', novo título assinado por Walcyr Carrasco, que ocupará o principal horário de teledramaturgia da casa. 

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