Com 22,2 pontos acumulados após 40 capítulos de Quem Ama Cuida, a Globo entra em uma nova rodada de decisões para o horário das nove. A emissora já organizou as próximas novelas das seis e das sete, mas ainda precisa escolher quem ocupará as 21h depois de Avenida Brasil 2. Audiência, custo e estágio de desenvolvimento colocam os projetos em posições diferentes nessa disputa.

Os números recentes ajudam a explicar a pressão sobre a faixa. Um Lugar ao Sol, exibida inteiramente gravada, ficou com a pior média do período na Grande São Paulo: 21 pontos. Acima dela aparecem Renascer, com 25,5, Terra e Paixão, com 26,6, e Pantanal, que alcançou 30. Desde o período posterior à pandemia de 2020, a perda de público passou a acompanhar a definição de cada nova novela.

Nesse quadro, Manuela Dias surge com uma credencial recente. Vale Tudo, de 2025, recebeu inúmeras críticas durante sua exibição, mas mobilizou a audiência no capítulo final e superou 30 pontos de pico. O resultado da reta final mantém a autora entre as possibilidades para suceder Avenida Brasil 2. Outra alternativa vem de Aguinaldo Silva. Ele já prepara uma nova sinopse para as 21h, e o desempenho de Três Graças, também de 2025, favorece um retorno relativamente rápido ao horário. 

Rosane Svartman ocupa uma posição diferente. Cotada para estrear na faixa depois do êxito de suas histórias das sete, ela desenvolve um projeto mesmo sem tratar a mudança como objetivo de carreira. Em entrevistas, a autora afirmou que não tinha a pretensão de escrever para o horário mais nobre da televisão brasileira. Ainda assim, ela está entre os nomes avaliados para comandar a faixa no segundo semestre de 2027.

Antes de qualquer escolha, Avenida Brasil 2 entra no ar no fim de janeiro de 2027, como substituta de Quem Ama Cuida. A continuação da novela de 2012 devolve João Emanuel Carneiro às nove depois de Mania de Você (2024). A marca, porém, chega cercada por um contraste: Avenida Brasil registra média de 14 pontos no Vale a Pena Ver de Novo, uma das menores entre as reprises das 17h.

O custo aparece como um obstáculo para O Arroz de Palma. A adaptação do livro de Francisco Azevedo é desenvolvida por Bruno Luperi desde o encerramento de Velho Chico, em 2016. Pensada inicialmente para as seis, a trama foi retomada com foco nas nove e acompanha diferentes épocas. Embora seja o projeto mais avançado, O Arroz de Palma é considerado uma proposta cara.

A trajetória da adaptação também passou por uma longa interrupção. Luperi deixou O Arroz de Palma de lado enquanto assumia Pantanal, em 2022, e Renascer, em 2024, remakes de textos de Benedito Ruy Barbosa. Avô do autor, o novelista viveu entre 1931 e 2026.

Para o segundo semestre de 2027, portanto, a Globo não compara apenas quatro nomes. Manuela Dias e Aguinaldo Silva chegam respaldados por resultados recentes; Rosane Svartman representa uma mudança de faixa que ela nunca tratou como prioridade; e Bruno Luperi possui a proposta mais avançada, embora seu custo seja apontado como obstáculo. A emissora avalia, assim, autores com credenciais distintas enquanto mantém aberta a definição da novela que virá depois de Avenida Brasil 2.

Com informações do colunista Duh Secco, do Notícias da TV (UOL).