A TV Globo decidiu interromper o desenvolvimento do novo programa que estava sendo idealizado por Fátima Bernardes desde março de 2024. A proposta de uma atração semanal, ao vivo e com elementos musicais, foi testada em dois pilotos nos Estúdios Globo, mas não atendeu às expectativas da alta cúpula da emissora.

Conforme apuração da jornalista Ana Cora Lima, da Folha de S.Paulo, a direção avaliou que o conteúdo proposto tinha semelhanças excessivas com a fase inicial do Encontro com Fátima Bernardes, que estreou em 2012 e foi comandado pela jornalista por uma década. Mesmo após ajustes e uma nova gravação no último mês, o projeto voltou a ser rejeitado.

Inicialmente, Fátima foi informada de que a proposta só voltaria a ser considerada a partir de 2026, com possível estreia em 2027. No entanto, dias depois, a emissora comunicou oficialmente que a atração estava engavetada sem previsão de retomada.

A suspensão pegou de surpresa a equipe que já trabalhava na pré-produção da atração. Todos os profissionais envolvidos foram realocados internamente e orientados a manter discrição sobre a decisão.

Em resposta ao portal F5, a assessoria da Globo limitou-se a afirmar: “Neste momento, o projeto não tem previsão de desenvolvimento.” Já Fátima Bernardes não se manifestou publicamente até o momento.

Globo sonhava com nova "noite das estrelas"

A ideia original era oferecer a Fátima um formato sofisticado, com entrevistas, debates leves e atrações musicais, nos moldes do que Hebe Camargo popularizou nas noites de segunda-feira no SBT nas décadas de 1980 e 1990. Embora tenha demonstrado entusiasmo inicial, Fátima resistiu ao rótulo de "nova Hebe".

"Cada época tem seu tempo. A Hebe, se estivesse viva, certamente faria coisas diferentes. Quero construir a minha própria trajetória", declarou a apresentadora em entrevista à colunista Mônica Bergamo, ainda em dezembro do ano passado.

De âncora do 'JN' a símbolo do entretenimento

Com uma trajetória iniciada no jornalismo em 1986, Fátima passou por diversos telejornais até chegar ao posto de âncora do Jornal Nacional, onde ficou entre 1998 e 2012. Sua migração para o entretenimento foi vista, à época, como uma aposta ousada, mas o sucesso do Encontro consolidou sua imagem como uma das comunicadoras mais influentes da televisão brasileira.