Maurício Meirelles e Regina Casé. Foto: Divulgação/Globo
Maurício Meirelles e Regina Casé. Foto: Divulgação/Globo

A Globo decidiu pisar no freio em parte de sua produção de humor e séries e passou a rever a lógica de desenvolvimento desses formatos. A mudança não ocorre apenas por avaliação criativa dos lançamentos recentes, mas também por um novo olhar de negócio, hoje mais presente no desenho dos projetos ligados ao Globoplay.

Esse reposicionamento ficou mais claro depois da troca de comando na plataforma. Desde 2024, Manuel Belmar assumiu o posto antes ocupado por Erick Brêtas e passou a trabalhar com um filtro mais rígido para aprovar conteúdos. A lógica, agora, não se limita à qualidade da ideia ou ao prestígio do elenco: os projetos também precisam demonstrar potencial de rentabilidade.

Na prática, o impacto já aparece no humor. A Globo interrompeu, ao menos por enquanto, a produção de novas temporadas de programas como “Aberto ao Público”, de Maurício Meirelles, e “Tô Nessa”, de Regina Casé. O movimento mostra que a emissora deixou de operar no piloto automático de renovação e prefere rever com mais cuidado o que vale manter na linha de produção.

O caso de Regina Casé ajuda a ilustrar esse momento. Embora “Tô Nessa” tenha registrado razoáveis índices de audiência, o conteúdo da atração recebeu críticas dentro da emissora e também fora dela. A segunda leva de episódios, antes prevista para 2025, acabou empurrada para 2026, num sinal de que o resultado em ibope já não basta sozinho para sustentar uma continuidade imediata.

No campo das séries, a ordem é semelhante. A Globo mantém projetos em desenvolvimento, mas não trabalha agora com renovações nem com ideias apresentadas antes de 2025. O esforço está concentrado em buscar histórias novas, ajustadas à fase atual da plataforma e mais compatíveis com os critérios adotados pela gestão recente.

Essa mudança também dialoga com o momento da TV aberta. Internamente, a avaliação é de que hoje não existe tanta demanda por séries na grade tradicional, o que empurra ainda mais esse tipo de decisão para o ambiente do streaming. Nesse cenário, o Globoplay ganha peso como centro da escolha, mas sob uma régua mais pragmática.

Atualmente, a plataforma ocupa o segundo lugar em audiência entre os streamings no Brasil, atrás apenas da Netflix, segundo o Kantar Ibope. Esse dado ajuda a explicar por que a Globo tenta calibrar melhor investimento e retorno antes de abrir novas frentes de produção.

No humor, outro efeito dessa reorganização atinge Tata Werneck. Com a atriz escalada para a próxima novela das 21h, “Quem ama cuida”, o “Lady Night” entrará em pausa em 2026. A carga de trabalho da novela inviabiliza a gravação do talk show neste ano, embora a apresentadora siga no Multishow e estreie em maio o programa “E.T.”, ao lado de Eduardo Sterblitch.

Ao segurar renovações, adiar continuações e filtrar com mais dureza o que entra em produção, a Globo tenta reorganizar sua máquina de entretenimento em torno de eficiência e retorno. O recado dos bastidores é claro: ter nome forte ou audiência razoável já não garante espaço automático na próxima rodada.

Com informações ds jornais Folha de São Paulo e O Globo.