Em crise, SBT questiona Ibope e aponta falhas na medição de audiência

Reportagem do SBT Brasil coloca em dúvida os dados do Ibope, citando defasagem, amostragem reduzida e falta de concorrência no setor.

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SBT. Foto: Montagem
SBT. Foto: Montagem

Em meio a um período de instabilidade e queda de desempenho na audiência, o SBT levou ao ar, na última sexta-feira (14), uma reportagem que colocou em xeque a credibilidade dos índices oficiais de medição no país. No SBT Brasil, a emissora questionou publicamente a precisão dos dados fornecidos pela Kantar Media, empresa responsável pelos números que movimentam o mercado publicitário brasileiro.

A crítica surge em um momento delicado para o canal, que enfrenta uma crise prolongada em sua grade — mesmo após ajustes internos e mudanças de programação implementadas em 2025. Durante a apresentação da reportagem, Cesar Filho afirmou que o sistema de medição no Brasil é considerado “defasado e pouco preciso” por especialistas.

A matéria, assinada por Vinícius Rangel, reforçou dúvidas recorrentes do setor sobre transparência, metodologia e governança da Kantar. O telejornal lembrou que a empresa, antiga Ibope, foi vendida recentemente por cerca de R$ 1 bilhão à americana H.I.G. Capital, fundo conhecido por adquirir companhias e revendê-las em curto e médio prazo. A negociação, conduzida com poucas informações públicas, aumentou o desconforto entre emissoras, anunciantes e agências.

A reportagem destacou a preocupação do SBT com o fato de um fundo estrangeiro controlar um serviço considerado estratégico para toda a indústria televisiva — e historicamente monopolizado. Segundo o telejornal, a falta de concorrência agrava o problema, já que empresas públicas e privadas dependem exclusivamente dos dados da Kantar para definir investimentos publicitários.

Outro ponto levantado foi o tamanho da amostragem: “Hoje, segundo a empresa, os dados vêm de apenas 6 mil aparelhos, em um país com mais de 213 milhões de habitantes”, informou Rangel. Especialistas consultados apontaram que a medição carece de transparência e modernização, especialmente no que diz respeito ao consumo multiplataforma. A CEO da Marketdata, Fábia Juliaz, afirmou que a medição crossmedia exige processos “claros, robustos e auditáveis”.

A crítica do SBT ocorre em um momento em que a emissora ocupa a terceira posição na TV aberta, atrás da Globo e Record, tanto em São Paulo quanto no ranking nacional. Na principal praça de medição — a capital paulista — o canal oscila entre 2 e 4 pontos de média diária.

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