Alika/Lúcia (Duda Santos) e Niara/Vera (Erika Januza).Crédito: TV Globo/Estevam Avellar
Alika/Lúcia (Duda Santos) e Niara/Vera (Erika Januza).Crédito: TV Globo/Estevam Avellar

Antes mesmo de chegar às telas, A Nobreza do Amor já carrega uma distinção narrativa difícil de ignorar: uma novela das seis que ambienta sua trama em dois continentes e transforma um município nordestino fictício no ponto de encontro entre a realeza africana e o Brasil do interior canavieiro. A estreia está marcada para o dia 16 de março na TV Globo.

A cidade de Barro Preto, isolada entre as falésias do Rio Grande do Norte, foi construída com referências arquitetônicas de diferentes épocas do Nordeste brasileiro. Tudo gira em torno da praça — e é nesse ambiente que a princesa Alika e a rainha Niara chegam como forasteiras, fugindo de Batanga. Para se proteger, as duas adotam novas identidades: Alika vira Lúcia, interpretada por Duda Santos, e Niara passa a ser Vera, papel de Erika Januza.

Quem primeiro percebe a chegada das duas é Tonho, vivido por Ronald Sotto — trabalhador da maior fazenda de cana-de-açúcar da região, o Engenho Santa Fé, com o sonho de conquistar uma terra para ajudar sua comunidade. O encontro se dá em uma feira próxima à estação de trem, quando Tonho esbarra em Alika enquanto aguardava o automóvel novo do coronel Casemiro Bonafé, seu patrão, interpretado por Cássio Gabus Mendes. O senso de responsabilidade com as origens, presente nos dois personagens, constrói a ponte afetiva que sustenta a conexão Brasil-África na trama. "O que mais me impressiona nele é a sua força. A inteligência, a força de vontade, a determinação, a lealdade dele", sintetizou Ronald.

Logo no início, a madrinha de Tonho, Dona Menina, vivida por Zezé Motta, sente um vínculo ancestral ligando o afilhado à jovem recém-chegada. Parteira, benzedeira e espécie de oráculo da vila dos colonos do engenho, a anciã enxerga em Alika um elo entre Tonho e seu passado. Ao mesmo tempo, a presença das forasteiras desperta tensões entre os antagonistas da cidade.

Nicolas Prattes ocupa um desses papéis. Filho do coronel Casemiro, Mirinho é um bon-vivant desinteressado dos negócios do pai, obcecado com a beleza de Alika e em constante rivalidade com Tonho, ex-amigo de infância a quem agora trata como subordinado. Para o ator, o personagem representa uma ruptura com tudo que já fez. "Mirinho é a inauguração de um novo jeito de atuar para mim, porque é meu primeiro personagem em novelas que não é movido por um bom sentimento. Ele vai ser uma figura muito rica, cheio de camadas, em todos os aspectos", disse Prattes.

Do lado oposto da disputa amorosa está Virgínia, filha do banqueiro Diógenes Almeida Borges e herdeira da família mais poderosa de Barro Preto. Theresa Fonseca dá vida à personagem obcecada por Mirinho, disposta a usar qualquer recurso para afastar Alika de seu caminho. A atriz, que viveu Mariana em Renascer sob a direção de Gustavo Fernandez, retorna ao trabalho com ele nesta produção. "O público pode esperar uma Virgínia obstinada e ambiciosa", adiantou Theresa, que destacou a oportunidade de interpretar sua primeira vilã.

O universo de Barro Preto se desdobra em núcleos que ampliam a trama. No Engenho Santa Fé, a esposa do coronel, Graça, interpretada por Fabiana Karla, vive à sombra do padrão social dos Almeida Borges e empurra o casamento de Mirinho com Virgínia como forma de ascensão. Nos arredores da fazenda, a vila dos colonos tem em Dona Menina sua figura central, com Januário, filho da anciã e pai do jovem artesão Vitalino, exercendo papel de liderança entre os trabalhadores.

A prefeitura de Barro Preto adiciona um tom de humor ao enredo. O conservador Bartolomeu Lobo, o Bartô, administra a cidade com prioridade questionável: dedica mais energia à veneração da mãe falecida, Dona Veneranda, cuja estátua foi instalada na praça por determinação de lei municipal, do que às demandas reais da população. A resistência de Bartô ao projeto de iluminação elétrica do engenheiro José, irmão do rei Cayman II e marido de Teresa, esconde um interesse econômico: ele e o delegado Fortunato controlam o comércio de querosene que abastece as lamparinas da cidade.

A pensão de Dona Geralda e a mercearia dos Curi completam os pontos de encontro dos moradores. Na pensão vivem o médico e jornalista Onildo, que aos poucos se encanta por Vera, o padre Viriato, ranzinza e sem paciência, e sua sobrinha Belmira. Na mercearia, o casal de imigrantes libaneses Miguel e Fátima tenta arranjar casamento para a filha Salma — sem saber que ela tem o coração voltado para Tonho.

A novela foi criada e escrita por Duca Rachid, Júlio Fischer e Elísio Lopes Júnior, com colaboração de Dora Castellar, Alessandro Marson, Duba Elia e Dione Carlos. A direção artística é de Gustavo Fernandez, a direção geral de Pedro Peregrino, e a direção de Ricardo França e Mariana Betti. A produção é assinada por Andrea Kelly, com produção executiva de Lucas Zardo e direção de gênero de José Luiz Villamarim.

Tonho e Alika carregam histórias que vêm de continentes diferentes, mas convergem no mesmo ponto: a busca por pertencimento. Quando a trama começar a se fechar, o que estará em jogo não é apenas o amor entre os dois, mas o preço que cada um pagou para chegar até o outro.