Uma disputa judicial aberta por Albert Lewitinn pode afastar o antigo programa de Márcia Goldschmidt das telas e do catálogo do SBT. O executivo americano pretende barrar novas transmissões na TV aberta, no +SBT e nas redes sociais e reivindica indenização de pelo menos R$ 100 mil por danos morais e materiais.
Segundo ele, o formato que projetou Márcia na televisão em 1997 lhe pertence, e as reexibições recentes teriam ocorrido sem qualquer aval seu. O caso tramita na Justiça de São Paulo e foi obtido pelo jornalista Gabriel Vaquer, da Folha de São Paulo. Notificada dentro do processo, a emissora ainda não se pronunciou nos autos; consultada pela reportagem, informou que não comentará o assunto.
No centro da briga está a titularidade do programa e o alcance do acordo assinado nos anos 1990. O executivo sustenta ter registro autoral do formato nos Estados Unidos e defende que voltar a exibi-lo exigiria permissão sua ou um novo contrato.
Antes de acionar a Justiça, Lewitinn afirma ter notificado o SBT em três ocasiões. A resposta da emissora, conforme relata, foi a de que o contrato de 1997 não previa qualquer trava para reexibições. Ele rebate esse entendimento e lembra que, naquela época, o streaming sequer existia.
Na ação, o empresário ainda acusa o canal de ter mantido e ampliado o uso comercial do programa mesmo depois das notificações e das cobranças extrajudiciais. Para ele, essa postura rompeu os limites da boa-fé objetiva e deveria pesar no valor das reparações.
O vínculo de Lewitinn com a atração vem de antes da estreia de Márcia. À frente da produtora americana Decenber First e como vice-presidente de talk-shows internacionais da Universal Television, ele levava a diferentes países um modelo apoiado em discussões e conflitos, na linha de The Jerry Springer Show, atração criticada pela imprensa dos Estados Unidos por seu sensacionalismo.
Diante do resultado do formato lá fora, Silvio Santos (1930-2024) o chamou para montar uma versão brasileira. Márcia, então à frente de uma agência de encontros, foi aprovada em testes e assumiu o comando do programa, dirigido por Lewitinn por toda a sua permanência no ar.
O espaço no SBT deu fama à apresentadora e rendeu números fortes para o período: houve picos de 29 pontos e vitórias frequentes sobre a Globo até 1998, ano em que a atração saiu da grade. Depois disso, Márcia Goldschmidt ainda trabalhou na Band.
O reaproveitamento desse acervo, décadas mais tarde, é o que motiva a ação. Lewitinn conta ter sabido por terceiros que episódios voltaram à TV aberta e apareceram no +SBT, algo que considera irregular diante dos direitos que diz ter sobre o formato.
Por isso, ele busca encerrar o uso do programa nas três frentes descritas no processo: pede a retirada imediata dos episódios do +SBT e que a emissora não volte a levá-los ao ar nem publique trechos em suas redes.
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