O BBB 26 entregou números que a Globo não via há algum tempo no horário nobre. Desde a estreia, o programa acumulou 115 milhões de pessoas impactadas, segundo levantamento do Kantar Ibope — uma marca que a emissora enquadra entre os melhores resultados recentes do reality dentro dos padrões atuais da grade.
A medição detalhada reforça esse desempenho. A temporada registrou média de 17 pontos na Grande São Paulo e de 18 pontos no PNT, o Painel Nacional de Televisão — as duas referências centrais usadas pelo mercado publicitário e pelas emissoras para avaliar o alcance de um programa no Brasil.
A temporada encerra na próxima terça-feira, dia 21. O ciclo se fecha, portanto, com o balanço favorável que a Globo precisava para chegar fortalecida à mesa de negociação com a Endemol Shine, detentora dos direitos do formato Big Brother no mundo.
Essas conversas já estão adiantadas, segundo informa o jornal Folha de São Paulo. A Globo e a produtora internacional discutem a extensão do licenciamento por mais três temporadas, o que levaria o vínculo até 2030. O contrato em vigor foi assinado para cobrir o programa até 2027 — o que torna este o momento natural de iniciar a revisão do acordo.
A dinâmica que rege essas renovações segue um rito estabelecido e repetido a cada três anos. Se a produtora local cumprir todos os requisitos técnicos e editoriais exigidos pelo formato original, o novo contrato é renovado de forma quase automática após algumas rodadas de reuniões entre as partes. Não há, neste caso, uma renegociação do zero — o processo é mais próximo de uma revalidação do que de uma disputa.
O modelo financeiro do acordo também permanece o mesmo. A Endemol Shine recebe um valor fixo pelo direito de uso da marca e do formato, além de uma participação proporcional nos lucros que o BBB gera para a Globo a cada edição. Ambas as partes estão satisfeitas com os termos da parceria, o que contribui para que o processo corra sem atritos.
A negociação atual chega em um momento de transição no comando interno do reality na emissora. A renovação mais recente, fechada em 2024, ainda foi conduzida sob a gestão de J.B. de Oliveira, o Boninho, que por anos liderou a área de entretenimento e reality shows da Globo antes de deixar o cargo.
Com a saída de Boninho, a emissora passou a responsabilidade do setor para Rodrigo Dourado — uma escolha que priorizou a continuidade. Dourado não é novidade no formato: ele acompanha o BBB desde a segunda edição e acumula mais de duas décadas de vivência dentro da produção do programa.
É Dourado, portanto, quem conduz agora as tratativas que vão definir o futuro do BBB na grade da Globo. Se o acordo for fechado nos termos discutidos, o reality seguirá no ar até pelo menos 2030 — e a emissora terá garantido mais três temporadas de um dos programas mais rentáveis de sua história.
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