Tudo Por uma Segunda Chance. Foto: Divulgação/Globo
Tudo Por uma Segunda Chance. Foto: Divulgação/Globo

Ao investir em novelas verticais, a Globo e o Globoplay inauguram uma nova frente de dramaturgia voltada ao consumo pelo celular. A primeira produção nesse formato, ‘Tudo por Uma Segunda Chance’, já estreou nas redes sociais da emissora, enquanto o streaming prepara a chegada de ‘Cinderela e o Segredo do Pobre Milionário’. Paralelamente, o mercado independente se organiza com a Tele Tele, plataforma exclusiva de microdramas prevista para 2026, que já nasce com um conselho criativo estrelado.

Num primeiro momento, a Globo decidiu apostar em histórias de melodrama rasgado, com romances intensos e intrigas familiares, exatamente o tipo de narrativa que popularizou o formato em países asiáticos — em especial a China, hoje considerada a maior produtora de microdramas do mundo. A estratégia é consolidar o público com tramas clássicas de folhetim antes de avançar para outras vertentes, como comédias, histórias policiais e suspenses, já previstas para fases futuras do projeto.

A estreia da primeira novela vertical da emissora, ‘Tudo por Uma Segunda Chance’, ocorreu esta semana nos perfis da TV Globo em TikTok, Instagram, Facebook, X e YouTube, alcançando também o Globoplay. A trama é um microdrama produzido pelos Estúdios Globo, com roteiro de Rodrigo Lassance e direção artística de Adriano Melo, estruturado em 50 capítulos de aproximadamente 2 a 3 minutos de duração, lançados em blocos semanais. O formato foi pensado para ser consumido em sequência, em tela vertical, reforçando a lógica de maratona rápida típica das redes sociais

Na frente de elenco, ‘Tudo por Uma Segunda Chance’ é protagonizada por Daniel Rangel, Débora Ozório e Jade Picon, repetindo a combinação de rostos jovens com nomes já conhecidos do público de novelas tradicionais. A produção se apoia no triângulo amoroso e em elementos de tragédia e vingança para capturar a atenção de um público acostumado a conteúdos curtos e altamente emocionais. A aposta da Globo é que esse tipo de narrativa, embora pensado para o celular, fortaleça o vínculo com a dramaturgia da casa e sirva de porta de entrada para outras faixas e formatos.

O próximo passo dessa estratégia é ‘Cinderela e o Segredo do Pobre Milionário’, novela vertical escrita por Ricardo Hofstetter que chega ao Globoplay em 12 de dezembro. Na história, Gustavo Mioto e Maya Aniceto vivem os protagonistas, liderando um elenco que também tem Yana Sardenberg, Caio Paduan, Suzy Rêgo, Ludmillah Anjos e Camilla Camargo, entre outros nomes. Assim como a primeira produção, trata-se de uma microtelenovela com cerca de 50 episódios curtos, em torno de 2 a 3 minutos cada, desenvolvida para exibição em tela vertical e com estreia marcada para dezembro de 2025 no streaming.

Nesse novo projeto, Cinderela ganha releitura contemporânea: Diego, personagem de Gustavo Mioto, é um empresário agroindustrial frustrado por não ter emplacado como músico e, após ser assaltado, encontra abrigo em um bar, onde conhece Cindy, interpretada por Maya Aniceto, jovem mãe solo que ensaia com sua banda. A partir desse encontro, nasce uma paixão que mistura fantasia de conto de fadas com cenário urbano e atual.

O plano do Globoplay não se limita a esses dois títulos. A plataforma já tem outras três tramas em desenvolvimento dentro da linha de novelas verticais. Ricardo Hofstetter, responsável por ‘Cinderela e o Segredo do Pobre Milionário’, assinará mais uma produção, enquanto Gustavo Reiz, autor de obras como ‘Fuzuê’, foi escalado para escrever duas novas histórias nesse mesmo modelo, ampliando o catálogo de microdramas previstos para os próximos anos.

Fora da Globo, o movimento das novelas verticais também ganha corpo. Para 2026, está prevista a estreia da Tele Tele, plataforma dedicada exclusivamente a microdramas, criada por Antonio Prata, Chico Mattoso, Thiago Teitelroit, Gustavo Mayrink e Camila Guerreiro. O projeto contará com um conselho criativo formado por Pedro Bial e Fernando Meirelles, dois nomes de peso do audiovisual brasileiro, e já tem a primeira história pronta para abrir o catálogo. Divulgada como a primeira plataforma brasileira totalmente voltada a novelas verticais, a Tele Tele é desenhada para consumo rápido em celulares, em linha com a lógica de narrativas curtas popularizadas por aplicativos de vídeo.

Com Globo, Globoplay e iniciativas independentes avançando simultaneamente, o segmento de microdramas em vídeo vertical tende a se consolidar como um novo braço da ficção seriada brasileira. Se, de um lado, o melodrama rasgado é a porta de entrada para conquistar audiência nesse início, de outro, a promessa de ampliar o cardápio para comédia, policial e suspense indica que a disputa por atenção nas telas pequenas do celular está apenas começando.