Cambalacho entrou no tributo a Benedito Ruy Barbosa pelo caminho errado. Na edição de terça-feira, 7 de julho de 2026, o Jornal Nacional homenageou o autor morto aos 95 anos, mas abriu espaço para uma cena de Tina Pepper, personagem de Regina Casé em novela de Silvio de Abreu.

O problema estava na autoria. Cambalacho, exibida em 1986, não tem envolvimento de Benedito Ruy Barbosa, responsável por obras como Pantanal e Renascer. A imagem, portanto, deslocou para a homenagem uma novela que pertence a outro escritor da teledramaturgia da Globo.

A falha ficou sem reparo dentro da edição. Como a reportagem sobre Benedito foi o último VT do Jornal Nacional, César Tralli não voltou ao ar para corrigir ou contextualizar a presença de Cambalacho. Depois da homenagem, os créditos subiram em silêncio absoluto, com a imagem do autor no telão.

Benedito Ruy Barbosa morreu no dia 7 de julho de 2026, em São Paulo. Ele estava internado no HCor, o Hospital do Coração, e a morte ocorreu por complicações decorrentes de insuficiência renal crônica. O velório foi realizado no Funeral Home, na região central da capital paulista.

Dentro do VT, a Globo combinou vozes de familiares, artistas e executivos para marcar a despedida. Bruno Luperi, neto do autor, apareceu ao lado dos filhosde Ruy Maurício Barbosa e Edilene Barbosa (filhos de Benedito), enquanto Tony Ramos, Cristiana Oliveira, Osmar Prado, Caco Ciocler e Almir Sater ajudaram a reconstruir a ligação de Benedito com a televisão.

Regina Casé entrou em outro ponto da homenagem. Embora não tenha feito novelas do autor, a atriz falou sobre a permanência de Pantanal no imaginário do público, citando como uma espécie de último troféu o fato de Benedito ter visto a força da história tantos anos depois da versão original.

Pantanal foi exibida pela Manchete em 1990 e ganhou remake da Globo em 2022. Amauri Soares, que assumiu a direção da TV Globo em 2020, quando Benedito já havia parado de escrever, usou esse retorno e o remake de Renascer, de 2024, para defender o alcance das tramas do autor entre diferentes gerações.

Marcos Palmeira participou de forma diferente dos demais. O ator enviou apenas um áudio porque não podia revelar a caracterização de um próximo trabalho, provavelmente a série Brega Story.

Entre depoimentos de quem conviveu com a obra de Benedito e comentários de quem representou a Globo institucionalmente, o ruído visual ganhou peso próprio. A homenagem lembrou a comoção pela morte do autor, mas a imagem de Cambalacho virou o ponto fora da curva da despedida.