Após consolidar sua carreira com os remakes de Pantanal (2022) e Renascer (2024), o autor Bruno Luperi inicia uma nova fase na TV Globo. A emissora renovou o contrato do escritor e deu sinal verde para o desenvolvimento de uma novela totalmente original, prevista para disputar o cobiçado horário das nove. A decisão marca um movimento estratégico do canal: deixar de lado os remakes e apostar em tramas autorais, alinhadas ao Brasil contemporâneo.

Neto do consagrado Benedito Ruy Barbosa, Luperi já entregou o primeiro argumento dessa nova produção. A expectativa é que a obra seja exibida após a novela de Walcyr Carrasco, que por sua vez substituirá Três Graças — sucessora de Vale Tudo — a partir de maio de 2026.

Embora ainda esteja em estágio inicial, com apenas alguns personagens delineados, a proposta mantém o DNA característico do autor: histórias que exploram o universo rural e a vida no interior do país, em um estilo narrativo bastante próximo ao de Benedito. A sinopse será submetida à avaliação da Direção de Dramaturgia da Globo, que poderá aprovar ajustes ou seguir com a proposta original.

A Globo vê na iniciativa uma forma de testar Luperi em produções inéditas, especialmente após o desempenho de seus últimos trabalhos. Pantanal, em 2022, foi celebrado pela crítica e pelo público, tornando-se um fenômeno de audiência e consolidando o remake como um dos maiores acertos da década. Já Renascer, exibida em 2024, teve impacto menor e gerou debates internos, mas manteve bons índices de audiência e foi elogiada pela qualidade estética e pela condução narrativa.

Luperi estreou na Globo em 2016 como colaborador de Benedito Ruy Barbosa em Velho Chico. Pouco depois, assumiu a autoria da trama, substituindo a tia Edmara Barbosa, que havia deixado o projeto. Em 2022, recebeu a missão de escrever a versão moderna de Pantanal, originalmente transmitida na TV Manchete entre 1990 e 1991, consolidando de vez seu nome no núcleo de dramaturgia da Globo.

Além da nova novela em desenvolvimento, o autor tem outro projeto guardado nos arquivos da emissora: O Arroz de Palma, adaptação do romance homônimo de Francisco Azevedo. A obra chegou a ser considerada para a faixa das seis, mas acabou não avançando. Agora, com o novo ciclo de produções inéditas, não está descartada uma retomada futura.