Bets investem mais de R$ 1 bilhão em publicidade na TV brasileira

Casas de aposta esportiva ampliam presença na televisão após regulamentação; CONAR reforça regras para publicidade de jogos de cassino online.

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Foto: Soumith Soman/Pexels
Foto: Soumith Soman/Pexels

Entre janeiro e setembro de 2025, as empresas de apostas esportivas ampliaram de forma significativa sua presença na televisão brasileira, somando mais de R$ 1 bilhão em investimentos publicitários. O volume consolidou o setor entre os maiores anunciantes do país, refletindo a disputa por visibilidade em um mercado que segue em expansão.

Os maiores aportes foram observados no segundo trimestre, com uma única operadora destinando mais de R$ 100 milhões às campanhas televisivas. No acumulado do ano, a líder investiu aproximadamente R$ 203 milhões, seguida por concorrentes com valores próximos a R$ 188 milhões.

As ações se estenderam para além dos intervalos comerciais. Patrocínios em campeonatos, clubes de futebol, festivais e programas de entretenimento têm reforçado a presença das marcas no cotidiano do público. Essa estratégia busca integrar aposta esportiva e cultura popular, aproximando as casas de apostas do torcedor brasileiro.

Apesar do volume expressivo, estudos de comportamento digital mostram que o aumento da exposição na TV nem sempre se traduz em crescimento proporcional de buscas online. A operadora com maior investimento publicitário ficou apenas na quinta posição em volume de pesquisas no Google, com cerca de 76 milhões de menções. Um indicativo de que a lembrança de marca nem sempre resulta em maior engajamento digital.

Perfil do apostador brasileiro

Levantamento divulgado por uma plataforma de aposta esportiva mostra que o apostador brasileiro é majoritariamente homem (59%), com concentração na faixa de 25 a 40 anos (42,1%). As classes B e C representam a maior parte dos jogadores, indicando a penetração do mercado em segmentos de renda média.

A principal motivação para apostar é o entretenimento, citada por 72% dos entrevistados. Cerca de 38% afirmam utilizar a aposta esportiva como complemento de renda, embora a maioria mantenha valores baixos de aposta: 90% dos depósitos são de menos de R$ 100.

O público se mostra fiel às plataformas: 68% raramente mudam de operador. Já a descoberta de novas casas de apostas ocorre, em geral, por meio de anúncios online (29%) e recomendações de amigos (28%), reforçando a importância da publicidade digital e televisiva na consolidação das marcas.

Aposta esportiva é preferência

A aposta esportiva segue como principal modalidade entre os brasileiros, com destaque para o futebol, responsável por mais de 88% das apostas registradas na plataforma KTO em agosto de 2025. O tênis e o basquete aparecem em seguida, com participações modestas.

Nos cassinos online, os slots dominam amplamente: 93,9% das rodadas realizadas em setembro de 2025 ocorreram em jogos dessa categoria. Entre os títulos mais populares estão KTO Big Bass Splash, Fortune Tiger e Gates of Olympus, que figuram entre os dez mais jogados no país.

Com a consolidação das apostas regulamentadas e a entrada de novas marcas, o setor mantém forte presença tanto na mídia quanto no entretenimento digital, apoiado por um público cada vez mais diversificado e consciente sobre práticas responsáveis.

O que diz o CONAR

O CONAR reforçou, no fim de 2023, as diretrizes do Anexo X do Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária, voltadas a práticas responsáveis nas propagandas de jogos de cassino e apostas esportivas.

As regras proíbem campanhas que associem a aposta esportiva ou os jogos de cassino a ganhos financeiros garantidos e determinam que toda comunicação publicitária seja claramente identificada como propaganda. Os anúncios devem conter alertas sobre riscos, promover o jogo responsável e respeitar restrições etárias.

Desde a entrada em vigor das normas, o órgão já abriu mais de 60 representações contra anúncios de apostas e notificou mais de 700 peças publicitárias por descumprimento de regras básicas, como ausência de avisos obrigatórios e uso inadequado de influenciadores.

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