Foto: Divulgação/Globo
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A telenovela mais exportada da TV Globo volta à grade aberta catorze anos depois de sua exibição original. 'Avenida Brasil', clássico de 2012 escrito por João Emanuel Carneiro, ocupa a faixa do 'Vale a Pena Ver de Novo' a partir do encerramento de 'Rainha da Sucata', com elenco encabeçado por Adriana Esteves, Débora Falabella, Cauã Reymond e Murilo Benício.

O folhetim estreará na faixa vespertina da emissora, levando ao público que não acompanhou a exibição original — ou àquele que quer rever — uma das produções mais premiadas da teledramaturgia brasileira. Indicada ao Emmy Internacional 2013 na categoria de Melhor Novela, a obra foi licenciada por mais de 140 países e dublada em 19 línguas, desempenho que nenhuma outra telenovela da Globo havia alcançado até então.

Esta é a segunda reprise da novela; a primeira foi exibida em 2019 e marcou 19 pontos no Ibope

A trama: vingança no subúrbio carioca

A história parte de uma traição doméstica com consequências devastadoras. Genésio (Tony Ramos), viúvo com uma filha pequena chamada Rita, casa-se com Carminha acreditando reconstruir a vida — mas a mulher, fria e calculista, articula com o amante Max (Marcelo Novaes) um esquema para tomar seu patrimônio. Quando Rita descobre o plano e denuncia a madrasta, Genésio morre atropelado pelo jogador de futebol Tufão (Murilo Benício). Tomado pela culpa, o atleta se aproxima de Carminha, que seduz o jogador e, já viúva e rica, descarta a enteada num lixão para eliminar a única testemunha de seus crimes.

No lixão, Rita enfrenta a exploração de Nilo (José de Abreu), mas encontra abrigo em Mãe Lucinda (Vera Holtz) e forma um laço com o menino Batata (Bernardo Simões). O destino os separa quando um casal argentino adota Rita. Do outro lado dessa ruptura, Carminha convence Tufão a adotar Batata — na verdade, filho biológico dela com Max — e passa a chamá-lo de Jorginho.

Nina: o retorno e o plano

Doze anos depois, Rita retorna ao Brasil sob o nome de Nina (Débora Falabella), chef de cozinha formada na Argentina, com um objetivo claro: desmontar a vida que Carminha construiu sobre mentiras. Contratada por Ivana (Letícia Isnard), ela se infiltra na mansão de Tufão e observa de perto a rotina da ex-madrasta, que mantém a fachada de esposa dedicada enquanto sustenta um caso secreto com Max, agora cunhado do jogador. Carminha vive ainda com a filha Agatha (Anna Karolina Lannes), fruto do relacionamento com o amante — embora todos a creiam filha de Tufão —, a quem trata com indiferença. O único afeto genuíno que demonstra é por Max e por Jorginho (Cauã Reymond), com quem mantém uma relação marcada por tensão constante.

Ao se aproximar da família, Nina reconhece em Jorginho o menino Batata. Os dois se reaproximam, mas ele é noivo de Débora (Nathalia Dill), o que coloca Nina diante de uma escolha entre o amor reencontrado e a vingança que planejou por anos.

O bairro do Divino e o elenco coral

Ambientada no subúrbio carioca, a novela constrói um retrato da classe média brasileira a partir do fictício bairro do Divino. É lá que está o Divino Futebol Clube, onde Jorginho, Iran (Bruno Gissoni), Roniquito (Daniel Rocha) e Leandro (Thiago Martins) treinam na expectativa de chegar a um clube de expressão. O bairro também abriga Muricy (Eliane Giardini), Monalisa (Heloísa Perissé), Silas (Aílton Graça), Darkson (José Loreto), Tessália (Débora Nascimento), Olenka (Fabiula Nascimento) e Suéllen (Isis Valverde), entre outros, cujas histórias se cruzam entre o comércio local, as noites de charme e as partidas de futebol.

O elenco de apoio inclui ainda Alexandre Borges, Debora Bloch, Camila Morgado, Carolina Ferraz, Betty Faria, Cacau Protásio, Otávio Augusto, Ana Karolina, Juliano Cazarré, Juca de Oliveira, Paula Bularmaqui, Bianca Comparato, Bruna Griphao, Claudia Missura, André Luiz Miranda, Felipe Abib, Carol Abras, Luana Martau, Emiliano D'Avila e Marcos Caruso, que interpreta Leleco. A direção de núcleo é de Ricardo Waddington; Amora Mautner e José Luiz Villamarim assinam a direção-geral.

Fenômeno que atravessou décadas

Frases como "É tudo culpa da Rita!", "Toca pro inferno, motorista!" e "A partir de agora, você vai me chamar de senhora!" seguem sendo referências imediatas para quem viveu a década de 2010 diante da televisão. Esse repertório cultural não se dissipou — e foi justamente ele que sustentou, em 2023, a produção turca 'Leyla – Sombras do Passado', primeira adaptação internacional do formato criado por Carneiro.

A volta ao 'Vale a Pena Ver de Novo' confirma que 'Avenida Brasil' não é apenas memória afetiva: é um ativo editorial que a Globo reconhece como capaz de render audiência mesmo fora do horário nobre.