Daniel Berlinsky. Foto: Reprodução/Band
Daniel Berlinsky. Foto: Reprodução/Band

Para Daniel Berlinsky, o maior saldo de 'Dona Beja' foi fazer a protagonista atravessar o tempo sem perder a dimensão mítica que a cerca. Ao lado de António Barreira, o autor diz que a missão era tirar Ana Jacinta de São José do campo da caricatura e devolvê-la ao público como uma mulher viva, contraditória e provocadora. O sentimento, agora, é de dever cumprido.

Na avaliação do autor, a conexão com o público veio justamente dessa recusa em simplificar Beja. Berlinsky afirma que a novela não buscou encaixar a personagem em rótulos e que o interesse da audiência nasceu da complexidade dela e também de outras figuras colocadas à margem da sociedade e da História. Segundo ele, o público não apenas assistiu, mas maratonou, discutiu e tomou partido.

O encerramento na HBO Max preserva o movimento central do clássico ao levar Beja, vivida por Grazi Massafera, ao confronto final com Antônio, interpretado por David Junior. Depois do acerto de contas, ela provoca a morte do rival e encerra a trajetória em linha com a espinha do desfecho exibido originalmente pela TV Manchete.

A diferença mais sensível da adaptação está no tratamento da violência sofrida pela protagonista antes desse confronto. Na versão de 1986, quando Maitê Proença vivia a personagem e Gracindo Júnior interpretava Antônio, Beja era açoitada a mando dele. Agora, a nova leitura troca esse eixo dramático por um estupro antes da reação da personagem.

Depois da morte de Antônio, o fim também preserva o arrependimento de Beja, mas reorganiza o sentido desse fechamento. De acordo com informações publicadas por O Globo, a nova adaptação acrescenta uma reflexão mais direta sobre machismo e feminismo. Para Berlinsky, a força da novela está justamente em falar de autonomia: quem decide sobre a própria vida, o próprio corpo, os próprios desejos e o próprio destino.

Produzida pela Floresta e licenciada pela Warner Bros. Discovery, 'Dona Beja' tem texto assinado por Daniel Berlinsky e António Barreira, com colaboração de Maria Clara Mattos, Cecília Giannetti, Clara Anastácia e Ceci Alves. A direção geral é de Hugo de Sousa, com Bia Coelho, João Boltshauser, Rogério Sagui, Thiago Teitelroit e Ana Angel na direção. Pela Warner Bros. Discovery, a supervisão da produção ficou com Mariano César e Anouk Aaron.