A presença de Antonio Fagundes em ‘Quem Ama, Cuida’, próxima novela das nove, simboliza mais do que um retorno: marca o início de uma nova etapa nas relações entre a Globo e seus principais talentos. O ator, dispensado em 2020 com o fim dos contratos fixos, reassume protagonismo na emissora em um cenário marcado por ajustes administrativos e revalorização do elenco veterano.

Em entrevista à Folha de S.Paulo, Fagundes afirmou: “Eu acho que a TV aberta passou por uma reformulação. Eles tiveram que reestruturar administrativamente e agora estão recomeçando”. O artista destacou que a saída da Globo permitiu explorar diferentes plataformas, como streaming, TV Cultura e cinema, mas ressaltou o peso da emissora na produção nacional: “A vida não parou por ter saído da Globo. Mas, ao mesmo tempo, é uma grande emissora e, na TV aberta, é a maior produtora”.

Para garantir a volta do veterano, a Globo aceitou ajustar sua rotina de trabalho, possibilitando que Fagundes mantenha compromissos com o teatro. A agenda diferenciada permitirá ao ator gravar um novo longa-metragem e negociar o licenciamento do filme ‘Contra a Parede’, produção própria lançada em 2018.

Em ‘Quem Ama, Cuida’, Fagundes interpreta Artur, milionário que movimenta a trama ao decidir deixar sua fortuna para a fisioterapeuta Adriana, personagem de Letícia Colin, e casar-se com ela. O assassinato misterioso de Artur desencadeia a prisão injusta de Adriana, que passa a lutar para provar sua inocência e buscar justiça ao lado de Pedro, advogado idealista vivido por Chay Suede.

A volta à emissora também traz reencontros marcantes. O ator celebra a oportunidade de trabalhar novamente com Walcyr Carrasco, autor de ‘Quem Ama, Cuida’, com quem teve experiência positiva em ‘Amor à Vida’, novela na qual seu personagem, originalmente destinado a morrer precocemente, permaneceu até o final: “Nós tivemos uma experiência muito boa em ‘Amor à Vida’ [2013], com um personagem que ele foi desenvolvendo ao longo da trama [o médico César Khoury]. O personagem era para morrer no capítulo 40, e eu acabei ficando até o fim, o que resultou em um dos finais mais bonitos de novela da Globo”. Ele também destacou o reencontro com Amora Mautner, diretora que conheceu ainda no início da carreira dela: “Vai ser um reencontro gostoso. Tenho 44 anos no grupo, estou sempre com um pedacinho do coração lá”.

Ao comentar a conciliação entre TV e teatro, Fagundes explicou: “Isso sempre foi um acordo meu com a Globo. Desde que comecei a fazer novela, nunca parei de fazer teatro. Embora eu goste muito de TV, e tive a sorte de fazer grandes personagens, eu não queria parar de fazer teatro. O teatro é a pátria do ator, é lá que ele se desenvolve”.

Com estreia prevista para maio, em substituição a ‘Três Graças’, ‘Quem Ama, Cuida’ evidencia a busca da Globo por novas formas de relacionamento com artistas consagrados e aponta para uma fase de renovação nas novelas da emissora.