A nova novela das 9 da Globo, Três Graças, marca o retorno de Aguinaldo Silva à teledramaturgia com uma história que combina emoção, crítica social e temas profundamente humanos. O autor, ao lado de Zé Dassilva e Virgílio Silva, constrói uma narrativa centrada em três gerações de mulheres que enfrentam a maternidade solo na adolescência, interpretadas por Sophie Charlotte, Dira Paes e Alana Cabral.

Um enredo inspirado pela vida real

Aguinaldo contou que a ideia da trama surgiu há quase duas décadas, durante uma visita a uma maternidade pública, quando ainda escrevia Duas Caras (2007). O que viu naquele dia se tornou a semente de Três Graças.

“Quando cheguei lá, logo cedo, tinha uma fila enorme de mulheres esperando para serem atendidas, e percebi que a maioria era de meninas, adolescentes grávidas, de 15, 16 anos. Algumas ainda com jeito infantil. Isso me chocou profundamente.”, relatou o autor.

Um comentário feito por um amigo durante essa visita o marcou para sempre:

“Você está vendo algum homem aqui?”

“Eram todas mães solo, sem nenhum apoio masculino. Fiquei com aquela imagem da fila de meninas grávidas na cabeça. Achei que um dia eu teria de escrever sobre elas.”, acrescentou Aguinaldo.

Dessa lembrança nasceram as três protagonistas de Três Graças — mulheres fortes e resilientes que enfrentam o abandono e a luta diária para sustentar suas famílias.

Crimes, corrupção e crítica social

Além do drama familiar, a novela traz um enredo policial sobre um esquema de falsificação de remédios, comandado pelos vilões Santiago Ferette (Murilo Benício) e Arminda (Grazi Massafera). Os dois se passam por filantropos ao administrarem uma fundação que deveria distribuir medicamentos gratuitos, mas, em segredo, produzem placebos de farinha para desviar o dinheiro público.

“O noticiário fala de casos assim, de remédios falsificados e fábricas clandestinas. Já houve episódios reais em que pessoas foram enganadas ao tomar medicamentos placebo, inclusive anticoncepcionais falsos em 1998.”, explicou Aguinaldo.

Na ficção, a fábrica clandestina ganha o nome simbólico de “Casa de Farinha”, reforçando o tom crítico da trama.

“A mensagem é sobre o contraste entre quem trabalha honestamente e quem só busca o dinheiro, sem se importar com as vítimas do mal que pratica.”, resumiu o autor.

Homenagem pessoal e retrato do povo brasileiro

A personagem Gerluce, vivida por Sophie Charlotte, recebeu esse nome em homenagem a uma amiga do autor, uma bailarina pernambucana que morreu jovem.

“Eu adorava a Gerluce Amorim. Resolvi que, dessa vez, colocaria a protagonista com o nome dela.”, contou Aguinaldo.

Com Três Graças, o escritor promete uma novela popular e urbana, conectada ao cotidiano dos brasileiros.

“É uma novela da atualidade, do ônibus, do metrô, do trem. Fala de quem sai de casa às 5h da manhã para trabalhar.”, definiu.

O que você precisa saber:

📺 Estreia: 20 de outubro de 2025, na TV Globo
✍️ Autoria: Aguinaldo Silva, com Virgílio Silva e Zé Dassilva
🎬 Direção artística: Luiz Henrique Rios
📍 Locações: principais ruas de São Paulo, incluindo bairro da Aclimação
🎭 Premissa: três gerações de mulheres marcadas por abandono e maternidade precoce
💥 Gênero: drama com mistério, crítica social e toques de tragicomédia

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