À beira do rio Caturama, na fictícia Bom Retorno, o sertão goiano é o cenário de uma história em que a música une sonhos e também provoca rupturas profundas na família Sampaio Garcia. É ali que Eliomar Sampaio (Stepan Nercessian), homem simples e trabalhador, constrói com esforço o próprio lar e assume sozinho a criação das filhas Zilá (Leandra Leal) e Janete (Letícia Spiller), depois de perder a esposa, Maria Cecília Garcia (Paula Fernandes), em um acidente de carro logo após ela partir para tentar a carreira como cantora. Marcado pela tragédia e pela lembrança de um sonho artístico que custou a vida do grande amor, Eliomar transforma a música em tabu dentro de casa e faz uma promessa rígida: naquela família, ninguém mais iria cantar.

O luto e a proibição moldam o crescimento das duas meninas. A primogênita, Zilá, abraça o papel de filha exemplar: torna-se dona de casa aplicada, dedicada ao pai e obediente a cada regra. Já Janete herda da mãe a voz e o desejo de viver da música. Mesmo sob vigilância, ela encontra brechas para subir em pequenos palcos, cantar em eventos locais e experimentar um pouco da liberdade que sente ser sua por direito. O que conforta Eliomar é ver Zilá se aproximar de um “bom partido”: Alaorzinho (Daniel de Oliveira), herdeiro do poderoso Grupo Alaor Amaral, família que domina os negócios da região.

No ano de 2006, Janete e Alaorzinho vivem um relacionamento intenso, atravessado por discussões constantes. A educação conservadora e machista do rapaz não combina com a postura independente e irreverente da jovem, que se recusa a abrir mão dos próprios sonhos. Ao mesmo tempo, Zilá não se conforma com o fato de a irmã ter sido a escolhida pelo herdeiro Amaral. No passado, ela e Alaorzinho tiveram um namoro rápido, e a expectativa de retomar a história nunca deixou de existir. A frustração amorosa, porém, é apenas parte de um ressentimento mais antigo: desde cedo, Zilá se incomoda com o carinho especial que percebe em Eliomar por Janete, e a rivalidade entre as duas irmãs nasce bem antes da chegada do rapaz à vida da família.

Quando Alaorzinho decide levar para Bom Retorno uma grande festa, com direito a palco e holofotes, Janete enxerga a chance de se afirmar como cantora. Ela resolve ignorar as imposições do noivo e do pai e toma a decisão de cantar no evento, transformando o que deveria ser uma comemoração numa noite que marcaria a cidade por décadas. A apresentação é interrompida por Alaorzinho, revoltado ao ver a noiva enfrentar sua autoridade em público. A sequência de brigas, acusações e uma traição leva o casal a romper o noivado diante de toda a comunidade, em pleno auge do escândalo.

A repercussão em Bom Retorno é devastadora para Janete. Moradores, conhecidos e pessoas próximas aderem a um julgamento implacável, e a jovem se torna alvo de críticas e condenações morais. O golpe mais duro, no entanto, vem de dentro de casa: ao invés de acolhê-la, Eliomar se posiciona ao lado do ex-noivo, reforçando o coro de reprovações. Sentindo-se traída pelo pai, exposta e humilhada, Janete rompe de vez com a família e decide deixar a cidade, cortando todos os vínculos com o passado.

É nesse momento de fuga que o destino coloca em seu caminho Jean Carlos (Ricardo Pereira), um forasteiro de reputação duvidosa que chega a Bom Retorno cercado de desconfianças. Janete não imagina que ele foi atraído até ali por influência de sua própria irmã. A relação entre os dois, marcada pela fragilidade emocional dela e pela ambiguidade dele, resulta no nascimento de Agrado (Isadora Cruz). A menina cresce longe de Bom Retorno, sem conhecer a verdadeira história da família da mãe nem o caráter real do pai. O segredo sobre suas origens se torna mais uma ferida aberta na trajetória dos Sampaio Garcia.

Enquanto Janete enfrenta dificuldades para se sustentar e criar Agrado, em outra frente Zilá se reorganiza na cidade natal. Ela assume de vez o lugar ao lado de Alaorzinho, casa-se com o herdeiro do Grupo Alaor Amaral e constrói uma imagem de mulher bem-sucedida. No papel de esposa do empresário e mãe de Naiane (Isabelle Drummond), Zilá passa a viver cercada de luxo e prestígio, ocupando posição central nos negócios da família Amaral e consolidando o poder que tanto desejou. A distância entre as irmãs, que já era grande, torna-se quase intransponível.

Os anos passam, mas as escolhas feitas naquela noite em Bom Retorno continuam ecoando. Quando Eliomar adoece, Janete é obrigada a voltar à cidade que deixou para trás em meio à vergonha e à dor. O retorno a Bom Retorno a coloca frente a frente com o passado que tentou esquecer: o pai fragilizado, a irmã com a vida aparentemente perfeita, o ex-noivo que virou figura influente na região e uma comunidade que ainda guarda memórias do escândalo. A visita, motivada pela necessidade de cuidar de Eliomar, acaba reacendendo ressentimentos adormecidos, rivalidades familiares e conflitos que atravessam gerações.

De volta à terra natal, Janete se vê diante de um acerto de contas inevitável. Ela precisa lidar com a mágoa de ter sido julgada por todos, com o segredo em torno de Agrado e com a imagem de Zilá, agora fortalecida ao lado de Alaorzinho. Ao mesmo tempo, o reencontro com o universo sertanejo – que sempre foi o espaço natural do seu talento – coloca a música novamente no centro da sua trajetória, confrontando a maldição imposta por Eliomar e abrindo a possibilidade de ressignificar o legado de Maria Cecília Garcia. Em meio a lembranças, cobranças e segredos, Coração Acelerado constrói uma narrativa em que vínculos de sangue, ambições pessoais e o poder transformador da música se entrelaçam para redefinir o futuro dos Sampaio Garcia.

Produzida nos Estúdios Globo, Coração Acelerado é criada e escrita por Izabel de Oliveira e Maria Helena Nascimento, com direção artística de Carlos Araujo. A novela conta ainda com Bruna Ferreira na produção, Lucas Zardo na produção executiva e direção de gênero de José Luiz Villamarim. A estreia está prevista para 12 de janeiro de 2026, no horário das sete, sucedendo Dona de Mim na programação da Globo.

Coração Acelerado se insere na faixa das sete como uma comédia romântica musical ambientada no universo sertanejo, com forte protagonismo feminino e trilha sonora original pensada para dialogar diretamente com a narrativa e com os personagens. A proposta da obra, segundo a própria Globo, é transformar o sertanejo em linguagem central da trama, mesclando canções inéditas e sucessos do gênero em uma história que discute identidade, família e reconciliação.