
A reação de Leonardo ao descobrir que Viviane é uma mulher trans marcou uma das cenas mais tensas de Três Graças e redefiniu o futuro do casal na novela das nove. O momento foi exibido em um capítulo antecipado para as 20h35 — episódio que registrou 23 pontos de média e superou o Jornal Nacional, que destacava a prisão definitiva do ex-presidente Jair Bolsonaro. A sequência colocou em evidência a personagem interpretada por Gabriela Loran, que comentou ao Portal de Entretenimento da Globo (Gshow) o peso dramático da revelação e a importância de vivenciar esse protagonismo em horário nobre.
A virada acontece logo após o pedido de namoro feito por Leonardo, filho de Ferette (Murilo Benício). Sentindo-se acolhida com o gesto do rapaz, Viviane decide contar que é uma mulher trans. A confiança, porém, se transforma em frustração: o herdeiro reage de uma forma que a deixa revoltada, desencadeando uma ruptura imediata entre os dois.
Em meio à trama do casal, Viviane também participa das articulações ligadas ao plano do roubo da estátua que dá nome ao folhetim. Melhor amiga de Gerluce (Sophie Charlotte), ela está diretamente inserida nos conflitos centrais da novela, o que reforça sua presença na narrativa. Gabriela destacou ao Gshow que esse espaço reflete um avanço na forma como personagens trans têm sido representadas na teledramaturgia: "Ela está ocupando um lugar de protagonismo, não está só linkada ali na trama central, não é só a amiga da Gerluce. A Viviane tem o destaque dentro da trama interessante. Eu fico muito feliz, estou muito grata".
A atriz também explicou que a história da farmacêutica não reduz a personagem à sua transição de gênero. O texto, segundo ela, insere essa informação de forma natural: "Essa questão aparece, mas ela surge de maneira muito sutil e sem tabus. A Viviane é aquela mulher forte que enfrenta o que está acontecendo, e a gente sai desse lugar de vitimização, no sentido de fragilizar a personagem por ela ser trans. É diferente aqui. Ela é mais forte por ela ser trans. Ela é mais forte por conta disso, mas a gente também não é forte o tempo inteiro. Tinha que mostrar a vulnerabilidade também".
Gabriela reforça que a humanização de Viviane reflete a realidade de muitas mulheres trans brasileiras. Ela pontua que o público precisa enxergá-las como pessoas comuns, com rotina, conflitos e responsabilidades: "A gente tem que humanizar, mostrar que existe, mostrar que não é um bicho de sete cabeças, é uma mulher como qualquer outra, que levanta cedo, trabalha e tem os seus conflitos. Quando sai de casa, ela não fica pensando: 'Eu sou trans ou não sou trans'. A transfobia surge. Ela é apresentada para o público, mas, ao mesmo tempo, ela é contraposta ali pela atitude da personagem, e não só dela, mas de outros personagens também".
Sobre as gravações, a atriz relatou a sintonia com Pedro Novaes durante a construção das cenas do casal. Ela afirma que os dois mantêm uma troca cuidadosa desde o início: “Pedro veio perfeito para o personagem dele. Ele é um ator que está disposto a trocar. Ele troca comigo, ele me escuta, ele fala: 'Gabriela, estou com você. Vamos escutar, vamos discutir. O que você acha dessa cena aqui? Como você acha que a gente pode fazer isso aqui? O que ela está sentindo nessa hora? Por que ela está se sentindo assim? A Viviane está se sentindo como?'”, conta.
O capítulo em que Viviane revela a Leonardo detalhes sobre sua cirurgia foi amplamente elogiado por críticos e fãs, repercutindo nas redes sociais pela forma direta e sensível com que abordou a transfobia dentro da narrativa. A boa recepção se refletiu no desempenho consolidado de audiência, mesmo em um horário atípico para a novela das nove.
No planejamento da Globo, Três Graças permanece no ar até maio de 2026, quando será substituída por Quem Ama Cuida.

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