Pesquisa com o público muda rumos de 'Três Graças' em meio à crise de audiência

Pesquisa mostra público querendo vingança rápida, romance definido e mais vilania em 'Três Graças'.

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Cena de Três Graças. Foto: Divulgação/Globo
Cena de Três Graças. Foto: Divulgação/Globo

A queda de desempenho da audiência de Três Graças acendeu um sinal de alerta na Globo e tirou a novela de Aguinaldo Silva do grupo das três atrações mais vistas da emissora no país. Na semana entre 17 e 22 de novembro, a trama exibida na faixa das nove registrou média nacional de 22,1 pontos em seis capítulos, segundo dados do Kantar Ibope, e foi superada pelo Jornal Nacional, pela novela Dona de Mim e pelos telejornais locais da rede, todos com 23 pontos no período. Com isso, o folhetim passou a ocupar apenas a quarta colocação entre os produtos mais vistos da TV aberta brasileira, situação rara para uma novela das nove, tradicionalmente líder absoluta de público desde a década de 1970.

O cenário quebra uma rotina histórica da Globo no horário nobre: a faixa das 21h sempre foi o carro-chefe de audiência e de faturamento, usada como vitrine para a programação e para a imagem institucional da emissora. A perda do lugar no pódio em uma janela tão curta de exibição indica que o público está mais disperso e que outras atrações da própria casa, como a novela das sete e os telejornais, vêm conseguindo reter melhor a atenção do telespectador em diferentes praças do país. Para a direção, o desempenho aquém do esperado de Três Graças não é tratado apenas como flutuação, mas como sinal de que a narrativa precisa de ajustes rápidos para recuperar fôlego.

Internamente, a resposta veio em forma de intervenção direta na edição dos capítulos. A Globo passou a enxugar cenas consideradas excessivamente longas e a acelerar desdobramentos de tramas paralelas, com o objetivo de dar mais dinamismo à história central. Ao mesmo tempo, a emissora decidiu seguir com rigor as recomendações colhidas em pesquisas qualitativas e quantitativas realizadas com o público: os levantamentos mostraram aprovação à novela, mas apontaram incômodo com a demora de certos acontecimentos, o que ajudaria a explicar parte da queda de interesse de uma semana para outra.

No núcleo da protagonista, a mocinha Gerluce, vivida por Sophie Charlotte, foi um dos pontos mais bem avaliados pelo público consultado. As pesquisas indicaram que os espectadores querem ver sua vingança contra o vilão Ferette, interpretado por Murilo Benício, avançar em ritmo mais acelerado, para que as consequências de seus atos apareçam logo na tela. A relação da personagem com o policial Paulinho, papel de Rômulo Estrela, também entrou no radar: há torcida para que o romance se consolide e caminhe para um entendimento definitivo.

Outro eixo que mobiliza o público é a vida familiar de Gerluce. A audiência se mostra interessada em vê-la reconstruir a relação com Joélly, filha adolescente grávida, vivida por Alana Cabral, e amadurecer o diálogo sobre o futuro da jovem e do bebê. Ao redor delas, a melhor amiga, Viviane, interpretada por Gabriela Loran, também ganhou torcida própria, com parte dos espectadores desejando que a personagem encontre estabilidade afetiva e um caminho menos doloroso dentro da trama. A leitura na Globo é que esses vínculos afetivos, se melhor explorados, podem servir de gancho emocional para recuperar parte do público perdido.

No campo da vilania, Arminda, personagem de Grazi Massafera, surge como outra figura central nas pesquisas. Os telespectadores apontam desejo de vê-la em embates mais diretos com seus rivais e pedem cenas que reforcem o lado inescrupuloso da personagem, com mais frases de efeito e comentários ácidos. Sequências recentes em que Arminda exibiu esse perfil foram bem avaliadas, o que incentivou os autores e a direção a ampliarem sua presença em momentos-chave dos capítulos, tanto na condução das tramas de poder quanto nas reviravoltas familiares.

Apesar das oscilações no Ibope, um ponto considerado positivo pela equipe é a repercussão da novela na internet e entre a crítica especializada. Nas redes sociais, a discussão sobre a trama de vingança, as denúncias envolvendo remédios falsificados e a construção dos personagens fortalece a presença digital da obra, enquanto resenhas e comentários de especialistas têm elogiado a qualidade do roteiro e o desenho dos conflitos principais. Essa combinação de engajamento on-line com avaliação crítica favorável ajuda a Globo a justificar a manutenção do investimento na produção, ainda que os números lineares estejam abaixo da meta inicial.

Do ponto de vista de grade, o plano da emissora segue inalterado: Três Graças permanece prevista para ficar no ar até maio de 2026, quando deverá ser substituída por Quem Ama, Cuida, nova novela das nove assinada por Walcyr Carrasco. A ideia é dar tempo para que os ajustes em curso na narrativa tragam resultado e permitam que a trama de Aguinaldo Silva entregue uma média mais próxima do padrão histórico do horário antes da chegada da sucessora.

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