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Os Mutantes apostam no realismo fantástico e bizarro e se dá bem

por jeferson, em 20/07/2008

Os Mutantes - Caminhos do Coração parece ter engrenado de vez. A novela da Record, continuação de Caminhos do Coração, abraçou de vez o tema bizarro da mutação, resultando em um produto quase conceitual. Aparentemente, o autor Tiago Santiago resolveu deixar um pouco de lado os tais "caminhos do coração". Estratégia inteligente, visto que as tramas de amor da primeira fase nunca foram o grande atrativo da novela.
O texto, na maioria das vezes, deixou de ser explicativo, o que também ajudou a dar um ar mais interessante ao folhetim. No entanto, alguns pontos fracos ainda insistem em permanecer. É o caso da baixa complexidade ideológica da história, que quase sempre se limita a um maniqueísmo extremista.

Palavras como "do bem" e "do mal" são usadas incessantemente para taxar personagens e grupos. Pior do que isso, só as citações bizarras ao "poder do amor", que chegam a ser constrangedoras.

Ainda que a história se baseie no confronto entre seres superpoderosos, os rótulos de bom e mau não são inevitáveis, como já foi mostrado nas obras semelhantes X-Men e Heroes, em que os personagens têm desenhos mais complexos e não se limitam a serem puramente "yin" ou "yang".

Um dos maiores atrativos da novela é a abertura, que mostra o rumo que a história tomou: muita ação, efeitos especiais e adrenalina, embalados pela música Planeta Sonho, da banda 14 Bis. De muito bom gosto e bem produzida - exceto pelo nome errado da atriz Liliana Castro, que aparecia como "Liliane Castro" até alguns capítulos atrás - , a abertura mostra pessoas em atividades cotidianas, quando, discretamente, alguma coisa estranha acontece.

A melhoria na qualidade da obra é visível desde a abertura até a interpretação dos atores. Alguns, pouco experientes em TV, melhoraram consideravelmente o seu desempenho. É o caso de Julianne Trevisol, que está inebriante na pele da arquivilã Gór.

A personagem é uma megalomaníaca que tem o pouco original objetivo "vilanístico" de dominar o mundo. A atriz consegue convencer com seu estilo bruxa de história infantil. Sacha Bali também está divertido com seu Metamorfo, que faz o papel de vilão engraçadinho do time.

O elenco conta, ainda, com atores experientes que ajudam a manter a qualidade. É o caso de Patrycia Travassos, que interpreta a histriônica Irma, protagonizando cenas cômicas com o também bom ator André di Biase, que dá vida a Aristóteles.

Babi Xavier, que tem a difícil missão de dar continuidade ao papel de Ítala Nandi, o de doutora Júlia, se sai bem como a versão rejuvenescida da cientista.

A fotografia da novela lembra um pouco as histórias em quadrinhos. Luzes de cor azul royal e rosa-pink estão sempre embelezando os cenários, que também são bem mais interessantes do que os da primeira fase da trama.

Os efeitos de câmera dão um ar cinematográfico à obra. No entanto, alguns são excessivamente usados, chegando a cansar o telespectador. É o caso das longas tomadas em câmera lenta e dos cortes bruscos de aparência expressionista.

Um fato interessante em Os Mutantes é que há cast suficiente para produzir um desfile de moda. Praticamente todo o elenco é formado por atores e atrizes extremamente bonitos. Grupo encabeçado pela ex-Miss Brasil Natália Guimarães, que interpreta Ariadne, a mulher-aranha.

Tanta beleza na trama certamente ajuda a segurar a média de 17 pontos de audiência, com 18 de pico e 24% de share. É o poder da mutação aliado ao bom e velho poder da sedução.


TV Press





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