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Audiência: Autores dão reviravolta em "Paraíso Tropical"

por jeferson, em 25/08/2007

Audiência: Autores dão reviravolta em "Paraíso Tropical"

Há quase seis meses, a equipe de direção de Paraíso Tropical continua brincando de "jogo dos erros". Desde a estréia da trama, nota-se claramente que o diretor Dennis Carvalho preocupa-se muito com as grandes cenas, que contam com marcações precisas e diálogos bem encaixados.

Já nas situações cotidianas, o desleixo é figura cativa. Impossível esquecer de uma cena em que o transformista Carol Stardust, interpretado pelo travesti Rogéria, pegou o celular para denunciar Iracema, de Daisy Lúcidi, à polícia. Ela abriu o aparelho e disse "Alô!". Detalhe: sequer tocou nas teclas para fazer a ligação e, pior, o telefone estava de cabeça para baixo.

Em outra seqüência, Taís, de Alessandra Negrini, após uma discussão com Olavo, sai correndo e entra em um táxi. O chofer logo dá a partida, mesmo sem ela ter avisado para onde ia. Apesar das mancadas, a trama se estabilizou com média de 44 pontos de audiência e 64% de participação.

O troca-troca das gêmeas certamente deu um trabalhão a Alessandra, que teve de interpretar, por algumas semanas, não dois, mas quatro papéis. Pelo menos, neste período o figurino da insossa Paula - que na verdade era Taís passando-se pela irmã - ganhou em sensualidade e estilo. Infelizmente, com a troca desfeita, já era possível ver Paula - a "de verdade", no caso - usando saia jeans e blusinha de malha, vestuário mais adequado à pré-adolescente Márcia, vivida por Thavyne Ferrari.

No quesito roteiro, há diálogos impagáveis, notadamente os de Bebel, a prostituta sensação do momento. No entanto, há algumas conversas que não passam a verdade esperada pelo texto. Quando há inserção de "merchandising", então, a inverossimilhança é regra geral. Aliás, o que não falta é produto para anunciar na trama do horário nobre. Desde cosméticos a carros de luxo, passando pelos temas politicamente corretos, o chamado "merchandising social", como é o caso da campanha Criança Esperança, apoiada pela Globo.

Pelo menos, as novelas poderiam ter ficado de fora da massiva divulgação realizada em todos os programas da emissora. Vira "merchatice social".

Na comparação entre personagens femininas e os machos das oito, as mulheres ganham de lavada no conjunto da obra. Nos núcleos principais, os homens marcam presença, como é o caso de Antenor, de Tony Ramos, Olavo, de Wagner Moura, e Daniel, de Fábio Assunção, por exemplo. Mas o mesmo não se pode dizer dos coadjuvantes, como Urbano, de Flávio Galvão, e Cláudio, de Jonathan Haagensen. Apesar de estarem defendendo bem seus papéis, são meros participantes das histórias protagonizadas pelos sub-núcleos, formados majoritariamente por mulheres.

Falando nelas, algumas personagens têm dado verdadeiros shows, como é o caso de Isabela Garcia na pele da barraqueira Dinorá, que arma todas para ter o ex-marido de volta. E também da recém-chegada Juliana Didone, como a patricinha mimada Fernanda, que não mede esforços para atazanar a vida de Camila, de Patrícia Werneck. Exemplos que confirmam a tese de que, em Paraíso Tropical, personagem bom é o personagem mau. Ou seja, de que o vilão é cada vez mais adorado na TV. Mérito de Gilberto Braga.

Fonte: TV Press





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